Ataléia é uma pequena cidade situada no nordeste de Minas Gerais, na divisa com o Espírito Santo. Protegida por altas montanhas, às margens do rio Norte, Ataléia vai seguindo a História. Este espaço é dedicado àqueles que admiram esta terra simples, de raras paisagens e de povo hospitaleiro.
(*) As fotos são de autoria de Renato Alves Teixeira, exceto as marcadas e devidamente creditadas.
A banda Nahboa retornou aos palcos em grande estilo. Mais madura e com um som mais consistente, a banda ataleense se apresentou na abertura oficial do JEMG (Jogos Escolares de Minas Gerais) realizada no campo municipal de Ataléia em abril de 2011, contagiando a plateia com uma bela apresentação. A nova formação da banda contribuiu para esse amadurecimento musical. Seu líder e fundador Lucas Lemos, com persistência, reformulou o grupo e conseguiu reunir velhos e novos parceiros. Convidou o vocalista Rai-Rai, cofundador da banda, para a nova formação, além dos ex-integrantes da banda PNG, o baixista Juninho e o baterista Rossiney. E trouxe grande reforço ao incluir o tecladista e violonista Luís, que também contribui nos vocais. Fruto da experiência de seus integrantes e de suas tendências musicais diversificadas, como rock, axé, pagode, sertanejo, MPB e outras correntes, a banda Nahboa ressurge no cenário musical de Ataléia como uma grata surpresa. Agora é pé na estrada. Na boa!
Reginaldo de Vasconcelos Leitão, orquidófilo e orquidólogo de Governador Valadares, esteve visitando a cidade de Ataléia na primeira semana de abril de 2011. Ele veio com o propósito de descobrir novas espécies de orquídeas nos afloramentos rochosos próximos da cidade. Ele já havia descoberto, na região, duas novas espécies, que foram descritas cientificamente pelo taxonomista Marco Antonio Campacci. São elas: a Pseudolaelia Aromatica Campacci e a Pseudolaelia Ataleiensis Campacci. Foi a primeira vez que ele visitou Ataléia. Só conhecia as regiões montanhosas próximas dos distritos do município, locais onde foram feitas suas descobertas anteriores. Atraído pelas orquídeas e bromélias desde a infância, ele não esconde seu fascínio por essas plantas, pelas viagens e pela natureza em sua totalidade. Além de membro da SOVAL (Sociedade Orquidófila Valadarense), ele ministra palestras e vive a viajar por Minas Gerais e por outros estados do Brasil, ou como palestrante, ou como jurado em concursos e festivais envolvendo essas plantas ou procurando novas espécies. E com isso vai fazendo amigos por onde passa e colecionando parceiros na luta pela defesa do meio ambiente. Tive a oportunidade de conhecer o jovem orquidólogo durante os dias em que ele esteve em Ataléia e percebi sua dedicação e persistência, aliadas ao grande conhecimento que tem sobre as plantas e sua imensa consciência sobre a real necessidade de preservação do meio ambiente. Subimos duas montanhas próximas da cidade. Ficou constatado que Ataléia, apesar de muito explorada e devastada em seus campos, vales e rios, possui ainda pequenos nichos ecológicos onde se esconde uma infinidade de vida animal e vegetal, que bravamente sobrevive graças a fatores como altitude, inacessibilidade e rusticidade. Ele conseguiu reconhecer mais de vinte espécies diferentes de orquídeas e também mais de dez bromélias diferentes. Ao todo foram três montanhas exploradas em três dias consecutivos. Além de mim, mais dois colaboradores ajudaram o jovem nas suas buscas: Tekinha e Jeferson. E foram eles os mais valorosos, pois guiaram-no ao topo da montanha mais difícil: a Pedra do Poterrão. E no alto dessa pedra, a surpresa: a descoberta de uma nova espécie de orquídea! Uma nova pseudolaelia! Uma pequena flor do poterrão. Além da nova orquídea descoberta, Reginaldo acha que pode haver alguma nova espécie de bromélia também, pois recolheu algumas espécies desconhecidas por ele no alto dessa montanha. Quanto à nova pseudolaelia, que tal o nome de Poterranensis? Seria uma homenagem aos índios botocudos que há muito viviam aos pés da grande rocha. Espero que os botânicos, orquidólogos e orquidófilos ouçam o ecoar dos tambores rufando harmoniosamente em seus ouvidos no momento do batismo da pequena flor. E até a próxima aventura noMundo das Montanhas.
Pedra da Televisão
Pedra do Poterrão (Abril de 2011) (*) Foto de Reginaldo
A partir deste mês de março de 2011 este blog passará a informar mensalmente o total de precipitação de chuva em Ataléia. Nossa marcação pluviométrica tem como ponto de referência a Rua Teófilo Otoni, no centro da cidade, local onde foi instalado nosso pluviômetro (instrumento doado gentilmente pela Agronorte). Informaremos também o total de precipitação do mês de janeiro de 2011 e também do mês de fevereiro de 2011, ambos gentilmente cedidos pelo Sr. Manoel Marques Lima , responsável pelas marcações da CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais).
* Total dejaneiro 2011 = 98 mm
* Total defevereiro 2011= 100,5 mm
Clovismã Teixeira Batista, 20 anos, é natural de Ataléia. Desde pequeno, cursando a série final do curso primário na cidade vizinha de Ouro Verde de Minas, já mostrava interesse pelo desenho ao tentar igualar as habilidades de um colega que fazia desenhos das personagens de Dragon Ball Z. Em pouco tempo, mostrando muita aptidão, já superava o colega de aula e já tentava se igualar a um desenhista mais velho e experiente que havia na cidade, que trazia, compilado em uma pasta, retratos feitos à lápis. Ele, maravilhado por aquele tipo de arte, pôs-se a trabalhar nos retratos por conta própria. No início, teve dificuldades. O experiente desenhista mudou-se de Ouro Verde, deixando na cidade um jovem talentoso e persistente. E assim, sem professor, e com muita dedicação, Clovismã foi aperfeiçoando seus traços e formou-se sozinho na arte do desenho. Verdadeiro autodidata, sua arte surpreende pelos traços firmes e certeiros, pelos efeitos de luz e sombra e pela originalidade. Mora hoje em Ataléia e vem aos poucos tendo seu trabalho reconhecido e valorizado. Já tem sido procurado por admiradores dessa arte que encomendam seus serviços. Abaixo, alguns retratos do jovem desenhista (clique para ampliar as fotos):
O livro A família Alves Teixeira que viu Ataléia nascer, lançado em 2007, traz uma importante narrativa sobre o surgimento da cidade. A obra escrita por Adão Alves Teixeira, que é natural de Ataléia e neto de pioneiros da época da criação do povoado, conta fatos do início dessa povoação, quando Ataléia ainda era chamada de Santa Cruz do Norte. O livro que foi lançado em uma das Teixeiradas (nome das confraternizações da família Alves Teixeira) possui tiragem limitada e foi distribuído gratuitamente entre membros da família e alguns moradores da cidade. De linguagem fácil e agradável, a narrativa nos leva a imaginar a Ataléia das décadas de 1920 e 1930, repleta de rios de águas límpidas e de intrépidos desbravadores que percorriam suas densas matas em busca de terras devolutas para o cultivo e de riquezas, como pedras preciosas e plantas medicinais. O livro conta também a história da família do autor (da qual sou membro) e faz um paralelo entre o nascimento da família e o da cidade, fato que se dá quase que simultaneamente. Além disso, é ilustrado com fotos e documentos antigos, como propagandas políticas da época e atas históricas, contendo inúmeras assinaturas e referências a moradores ilustres e autoridades do município. Traz também informações e fotos de todos os prefeitos do município. Vale a pena conferir essa importante obra que se encontra nas principais bibliotecas da cidade.
Darlos Gonçalves dos Anjos, 37 anos, conhecido por Tekinha, é um exímio escalador das montanhas de nossa região. Ele é o principal guia nas excursões nos arredores de Ataléia e faz tudo isso por dedicação ao esporte e amor à sua região. Não aceita nenhum tipo de remuneração para conduzir os turistas de Ataléia ou de fora que se aventuram pelas trilhas nas rochas. Segue, na íntegra, uma entrevista concedida a Renato Teixeira, em que fala sobre seu trabalho voluntário.
MM: Você é o principal guia das expedições nas pedras de Ataléia. Quando esse interesse pelas escaladas começou?
Tekinha: Desde pequeno eu me perguntava quando chegava até a ponte e via as montanhas: será que alguém já subiu lá no alto?, será que dali eu pegaria no céu?, poxa, é tão alto! Muitos anos mais tarde, meu irmão Fábio e um amigo dele, o Lidiomar, tentaram subir uma daquelas pedras, mas encontraram dificuldades pelo caminho. Numa nova tentativa me convidaram para ir junto com eles. Reunimos também Pedro Paulo, Vaguinho e meu primo Janinho e essa foi a primeira vez que conquistamos a pedra. Isso foi em 1995. Saimos de madrugada e encontramos muitas dificuldades também. Era a Pedra do Roncamento. Sofremos para caramba e quebrando muito mato, conseguimos chegar no topo. Quando chegamos lá, nossa, que visão! Aquele mundo de montanhas! A paisagem era linda demais! Então, resolvemos reunir um grupo de pessoas para ir também, pois realmente era muito bonito o que a natureza tinha a nos oferecer. A partir daí não paramos mais. De uma segunda vez, encontramos Jefinho tomando banho no Roncamento, que nos perguntou onde tínhamos ido e informamos que tínhamos subido a pedra. Ele disse que o sonho dele era subir ali e pediu para ir também e assim nasceram as expedições que duram até hoje.
MM: Você vê potencial turístico em nossas montanhas?
Tekinha: Sim. Muito. Porque nossa iniciativa repercutiu bastante. Até gente de fora de Ataléia, inclusive escaladores profissionais de Belo Horizonte, que viram nossas fotos via internet, vieram para cá e me convidaram como guia. O potencial é grande. Dá para pular de paraglider ou de asa delta. Recentemente, estive até pensando que existe possibilidade, já que a Pedra do Sr. Delson é mais alta que a Pedra do Roncamento, de fazer um teleférico unindo as duas pedras. Sei que não temos condições, mas, cara, seria chique demais! Uma pedra ligando na outra e descendo no Roncamento, bem lá no rio. Seria lindo demais!
MM: Tekinha, quais são as pedras mais difíceis de escalar em Ataléia?
Tekinha: De todas, a única que subestimamos mesmo foi a Pedra do Bode. Porém, se você tiver um equipamento seguro, um tênis com bastante aderência, dá para subir. O difícil é subir o primeiro. Ele sobe e quando chega num assento, joga a corda e puxa os outros. Da primeira vez quem subiu foi o Jefinho, pois meu tênis não estava apropriado. Da segunda vez, eu comprei o tênis certo e subimos juntos. Já fomos duas vezes lá e estamos querendo ir pela terceira vez.
MM: Qual a sua montanha preferida?
Tekinha: A Pedra do Poterrão. Além do longo trajeto, a descida é uma comédia, com gente escorregando toda hora. E o tempo que leva também. São quase 4 horas de subida. Sem dúvida, é a melhor.
MM: Você acha que a ação do homem tem degradado o habitat das montanhas de nossa região?
Tekinha: Sim. Desmatamento, entendeu? O fogo também. Aí, acaba mesmo. Se não preservar, a tendência é só acabar mesmo. Então, tem que tentar valorizar.
MM: O que você pensa sobre a importância da preservação ambiental nos dias de hoje?
Tekinha: Com certeza é importante preservar. Tem que ter qualidade de vida. Se você analisar, a própria Mata Amazônica, segundo uma reportagem, possui cerca de 3 mil serrarias. São milhares de motosserras. Imagine quantas árvores são derrubadas. Então devemos cuidar da natureza mesmo. Os animais, com tudo isso, acabam indo parar nas cidades. É importante preservar.
MM: Você tem alguma sugestão ou projeto para o turismo daqui?
Tekinha: Continuar divulgando nosso trabalho e tentar ver até com os órgãos públicos, porque aqui é lindo demais. Talvez eles podem querer investir mais no turismo, nos apoiar mais.
MM: Tekinha, gostaria de agradecer pela entrevista e parabenizá-lo pelo trabalho realizado.
Tekinha: Também agradeço pela oportunidade, mas não sou eu sozinho. Nossa turma de excursão chama-se Ataléia Adventure, composta também por Jefinho, Vaguinho, Ponesa, Ailton e outros. Isso mesmo: Ataléia Adventure.
Nasceu em Ataléia, em 2010, na fazenda Mironga, de propriedade do pecuarista Olímpio Igor da Silva, um bezerro gigante da raça nelore, pesando mais de 60 quilos. Seguem algumas fotos do filhote recém-nascido:
Comparando recém-nascidos na fazenda
Pesagem do filhote gigante
Os Pecuaristas da região Roberto Kemel e Olímpio Igor exibem o filhote. (*) As fotos dessa postagem são de autoria de Dannilo Alves da Silva
Filme gravado em Ataléia-MG, realizado pela TV Brasil e veiculado em rede nacional em 2009. Sob a direção de Gustavo Jardim, com a colaboração de Aline X e sonoplastia de Daniel Gouvêa, o filme retrata a lenda, o mito em torno do animal, sob a ótica dos moradores da pequena cidade mineira.
Essa bela espécie de tucano vive em pequenos bandos e ultimamente tem sido vista com mais frequência na região. A foto mostra um exemplar visitando um jenipapeiro de nosso quintal em Ataléia. (Fevereiro de 2011)