P. Riscada

P. Riscada
Pedra Riscada, um gigante de Minas

Ipê

Ipê
Paisagem com ipê florido

Paisagem com cáctus

Paisagem com cáctus
As grandes montanhas, as serras , os vales

Torre

Torre
A santa cruz do Norte

sábado, 13 de agosto de 2011

Gameleira gigante

Tárik Barbosa entre as catanas da gameleira

A raiz com forma de jacaré
Na propriedade rural de Tárik Barbosa vegeta uma gigantesca e frondosa espécie de gameleira. Com seu tronco de madeira clara e diâmetro avantajado, a árvore é um símbolo vivo da grandiosidade da mãe natureza. Contando com mais vinte metros de altura e com tronco com mais de 12 metros de diâmetro, a planta centenária, nativa da mata Atlântica,  é um atrativo na região. Segundo o proprietário Tárik, todos aqueles que passam por ali procuram sentar-se à sombra dela, a contemplar suas formas, suas medidas. Além disso, em suas catanas, em suas raízes tubulares, a natureza esculpiu a perfeita figura de um jacaré, como se fosse o próprio guardião da árvore. Alguns registros fotográficos da sólida e vistosa árvore foram feitos numa tarde de agosto. Confira.
Tárik Barbosa e Mário da EMATER em frente da gameleira

O tronco de madeira clara


Renato Teixeira (Ataléia-MG)

A gameleira do jacaré (Ataléia-MG)

Tárik e Mário Silva medindo o tronco da árvore 

Agosto de 2011 (Ataléia-MG)

Visitando três vales

O Mundo das Montanhas esteve visitando as terras que fazem parte da confluência de três vales da região: vale do córrego do Tuquinha, vale do rio Norte e vale do córrego do Palmital. Mais precisamente, estivemos  nas propriedades rurais de Tárik Barbosa e Natan Souza Silva. Seguem algumas fotos do passeio pela região.





Passagem estreita nas rochas onde um fio d'água corre formando pequenas cascatas e piscinas naturais (fazenda de Natan Silva)

Agosto de 2011 (fazenda de Natan Silva)

domingo, 7 de agosto de 2011

As nascentes do rio Norte

O pequeno curso de água do rio Norte visto em sua cabeceira em região de elevada altitude em Ouro Verde de Minas (2011) 
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 O pequeno rio Norte
O Mundo das Montanhas esteve visitando as cabeceiras do rio Norte. Partimos na manhã de um domingo nublado e ventoso de agosto em busca das nascentes deste rio que banha a cidade de Ataléia. Além de mim, nossa equipe contou com as presenças de Dannilo e Samuel e também com a presença de João Buteco, que nos guiou nas estradas entre os municípios de Ataléia e Ouro Verde de Minas. Foram 38 quilômetros de Ataléia até o encontro com as nascentes de nosso principal rio. Na propriedade rural de João Peroba, numa região muito alta do município vizinho de Ouro Verde de Minas, localizamos uma das nascentes do Norte. Naquelas elevadas terras, em meio ao gado, montanhas, habitações rurais e os espaços reservados à cafeicultura, estão localizadas as primeiras águas do rio. Finos cursos d'água que serpenteiam, em seu rasteiro percurso, viajando rumo aos vales. Um pequeno Norte, raso, cuja travessia não carece mais do que um largo passo. O sistema hidrográfico da região conta também com algumas belas lagoas artificiais formadas por esses cursos d'água. Seguem algumas fotografias da expedição.


Lagoa formada na cabeceira do rio Norte na fazenda de João Peroba (Ouro Verde de Minas)

Nossa equipe à beira de uma lago nas cabeceiras do rio Norte (agosto de 2011)

Vista da região que abriga nascentes do rio Norte (Ouro Verde de Minas)


Em busca das nascentes

O Mundo das Montanhas, em busca das nascentes do rio Norte, visitou também as cidades vizinhas de Ouro Verde de Minas e Frei Gaspar. Abaixo, algumas fotografias registradas durante o passeio pela região.

Pequena queda d'água no município de Ataléia (trajeto entre Ataléia e Ouro Verde de Minas)
Montanha no município de Ouro Verde de Minas

Na cabeceira do rio Norte (Ouro Verde de Minas)
Agosto de 2011
Três Pedras, magnífica montanha próxima à cidade de Ouro Verde de Minas
Serra do Pratinha ao fundo (divisa de Ouro Verde de Minas e Ataléia)

sábado, 6 de agosto de 2011

Chuvas do mês de agosto


                             PLUVIÔMETRO
               Mapa de Anotações -  Ano:  2011
    Dia  
  Mês :agosto
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   18
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   19
      -
   20
      -
   21
      -
   22
       1,0 mm
   23
      -
   24
      -
   25
      -
   26
      -
   27
     0,5 mm
   28
      -
   29
      -
   30
      -
   31
      -
  Total do mês:      1,5 mm                       

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ataléia e o curta premiado

Gustavo Jardim, Daniel gouvêa e Aline filmando em Ataléia em 2009

O filme O bagre africano de Ataléia, do cineasta Gustavo da Rocha Jardim, foi premiado na 5ª edição do programa Filme em Minas em evento realizado em junho de 2011 em Belo Horizonte. A solenidade, que contou com a presença do governador Antonio Anastasia, aconteceu no Palácio das Artes. Este projeto, criado em 2004, faz parte de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais e a CEMIG e tem por objetivo estimular a produção e a distribuição de curtas, médias e longas-metragens em Minas. O bagre africano de Ataléia foi premiado na categoria de curta-metragem. Veja mais detalhes acessando http://cinemagia.wordpress.com/2011/06/14/filme-em-minas-laureados/. No elenco, o filme contou com a participação de moradores comuns da cidade que concederam entrevistas e depoimentos sobre o peixe e as lendas que o cercam. As gravações foram feitas em diversas locações, como barra do Pratinha, rio São Mateus, rio Norte, córrego Bananal, fazenda Mironga, Terreiro de Pedra,
ruas do centro da cidade, entre outras. (Veja o filme neste blog na seção Vídeos). Abaixo, algumas fotos das filmagens em Ataléia em 2009.
Daniel, Gustavo, Aline X, Modad e Zefinha (2009)
Terreiro de Pedra - Ataléia
O cineasta Gustavo Jardim e a assistente Aline X
Filmagens de O bagre africano de Ataléia (2009)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Garota Mundo das Montanhas - Agosto de 2011


Thainá Bernardo
A bela  morena 
A bela Thainá Bernardo tem 15 anos e cursa o ensino médio em nossa cidade. Nasceu em Teófilo Otoni e veio morar em Ataléia ainda criança, quando tinha aproximadamente 3 anos de idade. Reside com os pais, Adão Bernardo e Núbia Silva, e com os irmãos Thairone e Thaíne (sua irmã gêmea mais nova). Ela diz que adora morar em Ataléia, pois ama muito sua família que aqui vive e que possui grandes amigos na cidade. Diz que se algum dia tiver que sair para estudar em um centro maior, levará muitas saudades desta terra tão tranquila . De temperamento calmo e discreto, a simpática estudante nos prestigiou com belas imagens. As fotografias foram feitas nas dependências do clube AESA de Ataléia, numa gentileza de Geovani Lopes. O Mundo das Montanhas agradece a família da estudante pelo apoio  na realização deste trabalho. Abaixo, mais informações sobre a charmosa estudante. 

Nome completo: Thainá Souza Silva Bernardo
Nascimento: 24/10/1995
Altura: 1,63 m
Signo: Escorpião
Time do Coração: Cruzeiro
Hobbies: Adora ouvir a música sertaneja de Jorge e Mateus e de Gustavo Lima. Também curte muito navegar na internet.
     
A bela cruzeirense Thainá Bernardo

sábado, 30 de julho de 2011

Novo visual

A igreja católica matriz de Ataléia foi reformada recentemente. Confira o resultado nestas fotos.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Entrevistando um pioneiro

Antonio Roxo - Julho de 2011 


Antonio Félix de Araújo, 95 anos de idade, conhecido popularmente como Antonio Roxo, é um  morador especial de Ataléia. Oriundo de Teófilo Otoni, chegou em Santa Cruz do Norte em 1939, se instalou definitivamente no povoado, constituindo família com sua esposa Maria Lígia Gomes, 84 anos. Além de vários episódios importantes, ele vivenciou  a emancipação do povoado que se transformou na cidade de Ataléia. É produtor rural. Sua propriedade de terra localiza-se às margens do rio São Mateus. Reside na rua Teófilo Otoni no centro de Ataléia desde o início dos anos 60. Sendo um de nossos mais antigos moradores, com uma lucidez invejável e dotado de muita sabedoria e discrição, concedeu-nos esta entrevista histórica em que descreve  e narra fatos ocorridos ao longo do tempo em Ataléia.  (Mais detalhes sobre a história de Ataléia podem ser vistos no livro A família Alves Teixeira que viu Ataléia nascer, de autoria de Adão Alves Teixeira. Veja matéria neste blog na seção Cultura e arte). Acompanhe na íntegra a entrevista concedida a Renato Alves Teixeira para o Mundo das Montanhas.
MM: Em que ano o senhor chegou em Ataléia?
Antonio Roxo: Em 1939.
MM: Quem já estava instalado por aqui?
Antonio Roxo: Juca Neves; Clarismundo Pereira; João Miné, que morava ali onde hoje mora João de Gentil; o farmacêutico José de Aguilar; Jardelino, que morava na fazenda do Córrego dos Macacos; Zezinho Cacique, que morava no bairro Acari que na época era uma fazenda ainda; Antero Celestino, uma espécie de chefe, de delegado do povoado; Neném Alchaar; Manoel Penedo; Antonio Lemos; Vicente Pedroso; Salim Gazel e seu irmão Gazel; o tio deles , o Sr. Sales Gazel; Manoel Maurício; o carpinteiro Antonio Rodrigues; Cocoisa; Antonio Cardoso; Aristides Pastor; Broque; João Machado; Miguel Luís; Joel de Souza e outros.
MM: Como era o povoado quando o senhor chegou? Pode descrever o lugar?
Antonio Roxo:  O rio tinha capoeirão dos dois lados. A água era muito limpa, muito boa, tanto é que nós bebíamos dela e banhávamos no rio. As ruas eram carreiros. Eram bem estreitas. Só andava animais. Existiam poucas casas. Tinha uma casa onde hoje é o mercado. Existia um bar no mesmo lugar que é o bar Varandão hoje e que era de Antonio Cardoso. Tinha uma casa onde reside a família de Sr. Marambaia hoje. Tinha a casa de Sr. Salim Gazel, onde hoje está a Maçonaria. Tinha a casa de Manoel Maurício onde está a casa de finado Pedrão hoje.  A casa de José de Aguilar ficava na esquina onde está o bazar de Katinha.  Existia a casa de Gazel, onde reside Delaci hoje. Eram poucas as casas. Tinha também a casa de Neném Alchaar, onde hoje se localiza o bar de Geraldo , na Descamba. Do outro lado do rio só tinha a casa de Manoel Penedo. Era só mato do outro lado. Não havia nem a ponte na época. Atravessava-se na canoa. Por trás da igreja era uma mata que dava até no bairro Acari, que na época era uma fazenda. Só nas baixas é que tinha roçado. No alto era mato puro. O bairro Coqueiral era mata também. A minha primeira lavoura foi lá. O Coqueiral pertencia a Vicente Pedroso, que me cedeu na época para eu fazer lavoura de milho, mandioca, abóbora e moranga. A rua Teófilo Otoni, onde eu moro hoje, era um carreiro, uma estrada cavaleira. Quando Frei Inocêncio vinha de três em três meses rezar a missa aqui, era eu que limpava essas trilhas. Aí aconteciam o leilão nas barracas. Quem recebia o padre era Sidônia Gomes Neves, Dona Doninha, como era conhecida, e José Ribeiro Neves, conhecido como Jucas Neves. Eram os meus pais adotivos.              
MM: Quais eram os principais desafios da época?
Antonio Roxo: Falta de luz, falta de água tratada. A gente pegava água primeiro no rio Norte, depois foram feitas as cacimbas. Falta de médicos e remédios. E só existiam as estradas cavaleiras na época. Me lembro que o primeiro carro que chegou em Ataléia foi trazido pelo capitão Pedro. Foi um jipe. Ele veio no volante e uns camaradas vinham abrindo o picadão nas estradas cavaleiras e outros puxavam na corda e seguravam o carro para não tombar. Quando o carro chegou na rua, o capitão disse que o carro só iria embora de Ataléia quando construíssem uma estrada de rodagem. E assim foi.
MM: Quais eram as suas atividades na época de Santa Cruz do Norte?
Antonio Roxo:   Eu cheguei por aqui vaquejando, trabalhando com tropa de cavalos, fazendo roça na foice e na enxada. 
MM: Como era a vida naquele tempo? Quais as boas e as más recordações daquela época?
Antonio Roxo: Me lembro que tinha muitos garimpeiros. Vinham aventureiros de todo lugar e quem os  comandava  era Antero Celestino e Joel de Souza.  Todo mundo andava armado, não tinha lei propriamente dita, mas havia respeito entre as pessoas. Não existiam ladrões, as coisas podiam dormir do lado de fora das casas que ninguém pegava. A tranqüilidade era uma beleza. Hoje já não é assim. De dia já estamos com as portas e janelas fechadas.
MM: Como se deu o casamento com Dona Lígia?
Antonio Roxo:  Ela veio de Teófilo Otoni e morava com seu tio Aristides Pastor.  Foi quando eu a conheci, na casa do tio, e em pouco tempo, questão de meses, nós nos casamos.    
MM: Qual foi a reação dos moradores quando Santa Cruz do Norte se emancipou e passou a se chamar Ataléia em 1943?
Antonio Roxo: O povo gostou muito, mas não houve manifestações. Quando a população soube, já havia acontecido a emancipação.
MM: Como foi o episódio do “Dia da Barreira”, causada por uma tromba d’agua que caiu sobre a cidade, matando muitas pessoas na cidade e nas redondezas?  
Antonio Roxo: Foi na época do Natal, no final do ano de 1945. Nós morávamos na casa onde a família de Sr.  Wilfredo mora hoje.  Choveu uns três dias. Uma chuva mais fina. E nessa noite, por volta das dez horas, onze horas, uma forte chuva caiu com muitos raios e trovoadas. Trovões estrondavam e a tromba d’água caindo. Rolou uma grande pedra junto com a lama da chapada , que passou do lado da igreja e ficou parada na frente dela. Um tronco de peroba muito grossa mesmo e com uns seis metros de comprimento desceu também na barreira e ficou parada também na frente da igreja. A pedra ficou muitos anos na praça  em frente da igreja, mas hoje não se encontra mais ali para mostrar o tamanho da tragédia. Porém, a  igreja só teve algumas rachaduras. A lama soterrou a casa de Antonio Lemos, que se localizava onde fica a loja Passo a Passo hoje, matando sua filha.  A cheia do dia seguinte veio até onde hoje é a praça Tancredo Neves. As canoas podiam chegar  até ali na época.   A filha de Vitalina, que tinha o nome de Maria e que na época contava com 14 anos,  foi arrastada pelas águas e desceu o rio em cima de uma tora, mas conseguiu se agarrar num galho de um arvoredo, já na altura do poço de Sr. Cesário, na Descamba, e foi salva por Marcelino Soares, avô de Candinha. Maria veio a falecer anos mais tarde. O policial Zé Rufo, comandado pelo capitão Pedro, apesar de não saber nadar, também tentou salvar a moça, mas foi levado pela correnteza. Seu corpo foi achado alguns dias depois na fazenda de Joel de Souza, onde se localiza a cachoeirinha de Nenga , como é chamado hoje em dia o local. Nessa mesma noite correu barreira em grande parte do município, matando muita gente na região.
MM: Qual foi a reação das pessoas quando receberam luz elétrica no final dos anos 60?
Antonio Roxo: No início era  luz a motor, mas iluminava poucas casas. O motor ficava na casa de Ferraz, onde se localiza a Casa da Goma hoje. Ferraz mexia com o ramo de  pedras. Era pedrista. Com Ferraz prefeito e com Antonio Pereira deputado, a luz elétrica chegou. Foi uma grande alegria para todos. Um progresso grande.
MM: Como as pessoas se divertiam naquela época?
Antonio Roxo: Com a luz elétrica chegou o cinema de Gerozino Pereira de Almeida. Mas, os primeiros bailes de carnaval aconteceram no prédio de Zé do Bar (hoje chamado de prédio de Nicodemos, localizado em frente a padaria). Esses bailes eram promovidos por Altino Meireles, homem muito inteligente, que chegou  em Ataléia com Antonio Pereira e Clarismundo.  Mas a diversão mesmo era o seguinte: na ocasião de lua, os vizinhos saíam de noite com violão e sanfona, chegavam na porta da casa da gente e gritavam: “Acorda, gente ruim! Vai coar café e fazer biscoito para gente comer!” Assim, começavam as festas que iam pelas madrugadas.
MM: Que período lhe trouxe mais alegrias: a Ataléia de antigamente ou a Ataléia atual?
Antonio Roxo: A Ataléia de hoje é mais desenvolvida, tem mais recursos, mas a Ataléia antiga era melhor para se viver. Podia-se confiar nas pessoas, não tinha violência nem roubos. Não tinha fuxico na época. Nós éramos uma irmandade. 
Antonio Roxo e sua esposa Lígia
MM: Se o senhor pudesse voltar no tempo e pudesse escolher um dia do passado distante para viver de novo, que dia seria esse?
Antonio Roxo: Eu voltaria a viver o dia do meu casamento com Lígia.
MM: O Mundo das Montanhas se sente honrado pela realização dessa entrevista , lhe agradece imensamente  pela gentileza de concedê-la e deseja saúde e boa sorte ao senhor e a toda sua família.   
Antonio Roxo:  Eu que agradeço a oportunidade. Olha, se todo dia eu pudesse receber alguém para conversar aqui na minha casa e dar uma entrevista dessa seria maravilhoso. Essa entrevista foi um remédio para mim. Obrigado.
      
         
             


sábado, 16 de julho de 2011

O garimpo em Ataléia

Meu pai Jardelino Alves Teixeira, saudoso comerciante de pedras de Ataléia (1915-1999)
Salvador e jóias feitas com pedras da região

Zé de Maninho, comerciante de pedras da região 
Pedras da região de propriedade de  Zé de Maninho (Julho 2011)

Garimpo da chapada (julho 2011)
O garimpo foi a primeira atividade econômica da região de Ataléia e remonta a quase um século de exploração. Na década de 1920 surgiram os primeiros garimpeiros que se embrenharam nas matas e galgaram encostas e montanhas em busca do tesouro que se achava escondido no solo da região em diversos pontos. Com a notícia da existência das pedras semipreciosas e preciosas foram chegando mais e mais aventureiros na expectativa de extrair riquezas e, com isso, uma pequena comunidade foi se formando. Desta forma, juntamente com os colhedores de poaia (planta medicinal encontrada no interior das matas) e os fazendeiros, que se instalavam nas terras devolutas das redondezas e as cultivavam, os garimpeiros são os responsáveis pela criação do povoado de Santa Cruz do Norte que mais tarde viria a se transformar na cidade de Ataléia. Muitos foram os garimpos formados na região ao longo da história: Avião, Cari, Pacheco, Bananal, Zé Peixe, Córrego Seco, Neném Alchaar, Sebastião de Oliveira e muitos outros espalhados por todo o município. Uma grande quantidade de pedras, como águas-marinhas, topázio de diversos tipos, ametista, crisoberilo, citrino entre outras, foi retirada de nosso solo, lapidada principalmente na cidade vizinha de Teófilo Otoni e comercializada e enviada para todo o Brasil e para várias regiões do mundo, em especial para a América do Norte, Europa e Ásia. Hoje a extração de pedras e a quantidade de garimpeiros na região estão muito reduzidas, mas resta ainda alguns garimpos e alguns garimpeiros e comerciantes de pedras que, bravamente e de forma apaixonada,  mantêm aceso o brilho e a dignidade da profissão. Nomes como o de Antonio Lemos, Luiz Serra, Antonio Pereira, Melrim, Clemente Esteves Ferraz e de Jardelino Alves Teixeira são grandes referências do passado de nosso garimpo, ou como patrocinadores de garimpos ou como comerciantes de pedras. Segundo o garimpeiro Nivaldo Português, o Sr. Jardelino contribuiu muito para o garimpo de Ataléia, pois além de comprar muitas pedras retiradas de nosso garimpo, ajudava sempre que podia os garimpeiros, adiantando-lhes ou emprestando-lhes dinheiro. Nos dias atuais temos nomes como o de Salvador Botelho, garimpeiro inativo que comercializa jóias feitas dessas pedras, e nomes como os de José de Maninho e Pastor Gladstone que há anos se dedicam ao ramo de compra e venda de pedras preciosas na cidade, além dos autênticos garimpeiros, homens que labutam de sol a sol à procura dos minerais cristalizados escondidos no interior da terra pela natureza. Homens cuja tarefa é a de encontrar esses pequenos tesouros que provavelmente adornarão as coroas de um reino bem distante. Aqui alguns nomes de genuínos garimpeiros de Ataléia: Nivaldo Português, Geraldo Garimpeiro, Luís Lemos, Tião de Manelzinho, Zé de Nicomédio, Zé Ouriçado e Porró. A lista de garimpeiros e comerciantes de pedras é extensa e nem todos os nomes foram mencionados, contudo a homenagem do Mundo das Montanhas é estendida a todos os envolvidos nessa atividade no município de Ataléia.
O garimpeiro Tião de Manelzinho em fim de expediente na chapada (2011)

Escavações na chapada
Nivaldo Português e Geraldo Garimpeiro na ativa (Julho de 2011)
Garimpo da chapada - Ataléia, julho de 2011
Tenda de Geraldo Garimpeiro na chapada (Julho 2011)
O garimpeiro Nivaldo Português ainda em  atividade na chapada aos 74 anos de idade ( Julho 2011)